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Docas e ocupantes esperam prazo do ITERJ 06,11,06

Posted by dres2ie in Manifesto, Sabrina Gregori.
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Liminar de reintegração de posse ao ex-Departamento de Engenharia da Companhia Docas do Rio de Janeiro, concedida pela 10ª. Vara Cível do município, deu reintegração de posse para a Docas.O Instituto de Terras e Cartografias do Estado do Rio de Janeiro (ITERJ) pediu um prazo de 30 dias (que acaba no dia 9 de novembro) para apresentar solução ao problema. Segundo o assessor de imprensa da Docas, Fernando Paulino, se o prazo acabar e não houver sido apresentada uma solução, o oficial de justiça chamará a polícia e será feita a desocupação.

Na última quarta-feira, houve uma manifestação em frente ao edifício-sede da Docas. Cerca de 30 manifestantes se reuniram esperando representantes do Quilombo das Guerreiras que entraram para negociar – Nina Soares, Maria Aparecida e Miriam Muphy. Os ocupantes gritavam “Sem comer, sem beber, só nos resta ocupar”. No alto-falante, Maciel Silva, com uma camiseta da ocupação Chiquinha Gonzaga, dizia:

– Há quinze anos quem morava no prédio eram cachorros, ratos e baratas. Quando seres humanos vão morar, aí não pode!

Paulino afirma que a moradia é responsabilidade da prefeitura: “Os ocupantes deveriam forçar a prefeitura. A questão da moradia não é responsabilidade da Docas. Somos responsáveis pela atividade portuária”.

De acordo com Fernando Paulino, para o cadastramento no programa de moradia popular, não se pode ter moradia e ganhar menos de cinco salários mínimos, admitindo que o programa deve favorecer mais a classe média. Uma pesquisa citada pelo assessor revela que 70% dos moradores da zona portuária são trabalhadores informais, portanto não poderão ser cadastrados. “A maioria é camelô que trabalha de dia e vai apenas dormir lá”.

Nina Soares, desempregada, afirma que o programa não serve para quem não ganha nada. “Esse programa de moradia só entra quem ganha de cinco a dez salários, até porque você paga R$ 1850, 00 por mês e ainda é pra 2007. Você paga a sua moradia. E quem não tem como? Onde ficamos até 2007?”

departamento-de-engenharia facha quilombo

Nos planos de revitalização portuária, o prédio da Avenida Francisco Bicálio, 49, será um centro de estudos e, segundo informações do assessor de imprensa, já recebeu visitas de engenheiros para o levantamento de custos da reforma. “Esse prédio é para a reciclagem profissional da atividade portuária, que nos últimos 15, 20 anos caiu, mas voltou a crescer. A parte residencial dessa revitalização é de responsabilidade da Prefeitura”, explicou Paulino.

Esse seria um dos motivos da reintegração de posse. Há também os arquivos históricos da Docas. Os ocupantes rebatem: “Achamos uns mapas grandes lá em cima, cheios de fungo, e ainda fizemos o favor de enrolar para limpar o prédio”, diz Nina Soares. Outra razão é apontada pelo assessor da Docas. “O prédio não é residencial”. Nina Soares responde: “Nós temos encanador, bombeiro hidráulico, pedreiro, eletricista, já desentupimos um banheiro. Temos uma cozinha coletiva. Nós damos o nosso jeito”.

Quanto à negociação do dia 25, Nina não revelou nada. “Não posso dizer o que falamos. Mas, conversa vai, conversa vem, nada ficou resolvido. Vão ver o que se pode fazer. Eles é que tem que resolver, Docas, Governo Federal e Estadual, e nos deixar quietos aqui.”

Reportagem: Sabrina Gregori

Texto e Imagens: Sabrina Gregori

Edição: Davi Jovencio e Sabrina Gregori

Brasil, um país de todos? 06,11,06

Posted by dres2ie in Manifesto, Érica Sant'Ana.
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As condições dos ocupantes do antigo prédio do Departamento de Engenharia da Companhia Docas-RIO, desativado há cerca de 10 anos devido a um incêndio, não são das mais confortáveis. Localizado na Avenida Francisco Bicalho, centro do Rio de Janeiro, o prédio foi encontrado aberto, em total abandono e aparentemente sem condições de uso. Após uma breve organização no primeiro andar, o grupo de ocupação conseguiu instalar, mesmo de forma precária, 150 pessoas que estão vivendo lá desde o início de outubro.

De acordo com o assessor de imprensa da Companhia DOCAS, Fernando Paulino, é permitido a entrada de alimentos ou qualquer utensílio necessário para que os ocupantes consigam se manter no prédio, contanto que empresa seja previamente avisada de sua entrada. De acordo com os moradores, o prédio encontra-se monitorado 24 horas por dia pela segurança da empresa, que se mantém armada. Por medidas ainda não esclarecidas, a empresa não permite a entrada de grandes quantidades de alimentos. Da mesma forma, proíbem a entrada de eletrodomésticos, camas e qualquer outro utensílio que possa amenizar as condições desumanas nas quais os ocupantes se encontram.

Desde a invasão do prédio público, na madrugada do dia 8 para o dia 9 de outubro, a entrada de alimentos foi embargada por aproximadamente quatro dias, obrigando, assim, que os grupos de apoio (pessoas que aderem o movimento de ocupação e que se localizam na parte externa do prédio) cerrassem um pedaço de aproximadamente 30cm da grade para a entrada de mantimentos para os ocupantes.

A falta de luz no prédio é outra medida imposta pela Companhia, colocando em risco a vida dos moradores, que são compostos principalmente por mulheres, crianças e idosos. A reativação parcial e emergencial da energia do prédio através de ligações clandestinas foi interceptada pela segurança e o prédio encontra-se novamente sem energia elétrica.

Já o abastecimento de água potável é feito através da compra e doações de galões de água. Para os demais fins, o grupo de apoio se encarrega do fornecimento da água que obtém em baldes, nas proximidades da Rodoviária Novo Rio.

Todas as decisões do grupo para administrar esse processo de ocupação ocorrem de forma coletiva, que são duas reuniões diárias para estabelecer desde ações judiciais, até a escolha do que irão comer. As medidas são adotadas para uma maior democratização e integração entre os membros da ocupação conhecida por Quilombo das Guerreiras.

Predio e fachas Seguranças da Docas

Reportagem: Érica Sant’Ana

Texto: Érica Sant’Ana

Imagens: Sabrina Gregori

Edição: Davi Jovencio Érica Sant’ Ana