Supervia não se resposabiliza pelos camelôs na Central 01,12,06
Posted by dres2ie in Espaços públicos, Sabrina Gregori.trackback
A Central do Brasil é o que resta da antiga Estrada de Ferro que ligava São Paulo e Rio de Janeiro. A malha ferroviária restante nos subúrbios do Rio é da Supervia. Esta é responsável pela gare e subsolo do Edifício da Central. O espaço físico vem sofrendo muitas mudanças dos anos 90 para cá. Foi comercializado – McDonalds, banca de jornais e pastelarias – e vêm sendo construídos novos estabelecimentos perto dos portões, descaracterizando o lugar. O portão que dá para o lado do Terminal Américo Coronel Américo Fontenelle, aliás, contam com inúmeras paradas de vans e ônibus de diversos lugares e camelôs em toda a sua extensão.
Transeuntes reclamam da dificuldade para passar pelo portão. “Muitas vezes eu esbarro nesses camelôs e quase fui atropelada por esses ônibus que não tem nenhum respeito pelos pedestres” – reclama Elza Azevedo, aposentada de 74 anos. A vendedora Simone Arantes, 29 anos, freqüenta o lugar de segunda a sábado e diz ser incomodada todos os dias pelos camelôs e motoristas de van. “Os motoristas de van pulam na minha frente e os camelôs ficam gritando seus produtos. È um inferno isso aqui!”
A Supervia não assume a responsabilidade. “Do portão para fora, a responsabilidade é da Prefeitura. Contamos com a Secretaria de Segurança Pública para supervisionar a gare do portão para dentro. Aliás, graças a Segurança Pública não temos mais vendedores ambulantes, mendigos, prostitutas na gare como retratado no filme Central do Brasil” - esclarece Thiago Nerer, assessor de imprensa da Supervia.
A Secretaria de Governo diz não ter previsão para a retirada dos camelôs da área. “Não temos um plano efetivo no momento. Está em estudos”, diz uma secretária que não quis ser identificada. Quanto às construções nos portões da Central (um dos estabelecimentos será uma loja de roupas infantis e outro será uma lanchonete), os próprios clientes reclamam.
- Eles fazem isso para aproveitar a passagem das pessoas. Só que acaba atrapalhando. Se em obra já incomoda, imagina quando tiver clientes nos portões – Antonio Silveira, aposentado, 69 anos.
Thiago Nerer defende as construções. “A Supervia está revitalizando a Central. O cliente pode fazer suas compras, comer no McDonalds, lanchar… tudo na gare e no subsolo. Essa comercialização proporciona aos freqüentadores maior conforto porque antes não havia nada”.
Reportagem: Sabrina Gregori
Texto e imagens: Sabrina Gregori
Edição: Davi Jovencio & Sabrina Gregori
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