Terminal abandonado aguarda revitalização 01,12,06
Posted by dres2ie in Espaços públicos, Sabrina Gregori.add a comment
O Terminal Rodoviário Coronel Américo Fontenelle (famoso diretor do Detran da década de 60) está num estado deplorável com camelôs espalhados pelas plataformas, mendigos, fedor e sujeira desumanos. Freqüentado por cerca de 8,5 milhões de passageiros, possuí 3 plataformas, 36 paradas e 14 viações de ônibus. O diretor da Companhia para o Desenvolvimento Rodoviário e Terminais – CODERTE, diz ter um plano de duas etapas.
A primeira etapa juntará forças da Polícia Militar, Polícia Civil, Guarda Municipal, Fundação Leão XIII e Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente –DPCA- para a retirada dos camelôs, mendigos, prostitutas infantis, drogados, enfim, limpar a área. Essa será uma operação macabra. A segunda etapa conta com uma reforma que faremos, uma pintura, uma restaurada no lugar. Na verdade, a revitalização portuária já pega essa área. O levantamento de custo e a captação serão feitos depois de concluída a primeira etapa, que será rápida – diz o diretor da CODERTE, Dr.Nelson Pereira Pinto.
Segundo Dr. Nelson, a primeira etapa seria iniciada em dezembro, mas ele depende da disposição da Guarda Municipal para tirar os camelôs e suas mercadorias, que não podem ser confiscadas nem pela Polícia Militar e a Civil. Os vendedores do camelódromo entre a Central do Brasil e o Terminal podem ficar tranqüilos. “Aquela área pela CODERTE foi cedida para esses trabalhadores informais”, esclarece o diretor. Já os camelôs do Terminal prometem dar trabalho. “Esse é o nosso meio de sobrevivência. Se nos tirarem daqui como vamos ganhar dinheiro?”, argumenta um dos trabalhadores.
A questão da transferência será resolvida pela Prefeitura, que ainda não têm um lugar para esses trabalhadores informais. “Não podemos sair daqui. A Central (o Terminal é também chamado assim) é um ponto de referência. As pessoas não vão para outro lugar para comprar. Aqui, elas já passam para pegar ônibus, lembram de alguma coisa e compram”.
Dr. Nelson espera que essa operação aconteça no ano que vem, mas diz depender também do novo governo. “Vamos ver o que Sérgio Cabral fará”. A subprefeita do Centro, Maria de Lourdes Alves, confirma que esse processo ainda está em “fase de reunião”.
Houve outras tentativas para melhorar o lugar. Segundo a CODERTE, um edital ano passado foi publicado, convocando empresas particulares a explorar a área em parceria e sob as regras do Estado, como feito na Rodoviária Novo Rio. “Ninguém se interessou. Provavelmente, pela área que tem altos índices de bandidagem, prostituição, tráfico de droga e é cercado pela Gamboa e Morro da Previdência”.
Reportagem: Sabrina Gregori
Texto e imagens: Sabrina Gregori
Edição: Davi Jovencio e Sabrina Gregori
ITERJ dá a solução 01,12,06
Posted by dres2ie in Manifesto, Sabrina Gregori.add a comment
O drama do Quilombo das Guerreiras não acabou. A ocupação, que dura quase dois meses, espera a resposta da Docas. O Instituto de Terras e Cartografia do Estado do Rio de Janeiro apresentou a sua solução: o aluguel social. O Estado pagaria R$ 4.000, 00 por mês para a Docas para que as famílias pudessem morar pelo menos provisoriamente até 2007, pois as famílias foram cadastradas no Programa de Habitação Popular do Ministério das Cidades para 2007 que colocaria as famílias no bairro da Gamboa. A proposta foi entregue por Célia Ravera, presidente do ITERJ e a Docas deveria responder no dia 24, o que não ocorreu. Miriam Murphy – integrante da Comissão Negociadora – diz “ser uma falta de respeito”.
Como o planejado, se a Docas não se pronunciasse até dia 27, os moradores foram a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro – ALERJ, no dia 28, às 14 horas negociar uma solução com Geraldo Moreira, presidente dos Direitos Humanos da ALERJ e Célia Ravera. Segundo Gláucia Marinho integrante do Grupo de Apoio (que ajuda os ocupantes em suas necessidades) foi transmitido aos moradores nessa reunião que a proposta chegaria a mesa do presidente da Docas Antonio Carlos Soares de Lima, no dia 30, e então a resposta seria dada no dia 4 de dezembro.”-Nós vamos fazer um ato na terça–feira seguinte às 10:00hs em frente a Docas. – disse Gláucia.
“Se eles disserem não, nós faremos um protesto na frente da Docas.” – diz Mriam Murphy. A mais ou menos um ano um galpão da Docas foi ocupado e eles estão pagaram um aluguel durante um ano. Depois foram transferidos para Nova Sepetiba” Ocupar não é ilegal. O prédio tem que ter uma função social. Quando nós chegamos, o prédio estava todo depredado, sujo. Nós estamos preservando um patrimônio porque tudo isso foi construído com os impostos que nós pagamos.”
A ocupação conta com uma organização para cuidar do lugar. Há equipe de portaria com rodízio de duas horas, equipe de cozinha (coletiva), equipe de água (que leva água da bica do canal da Leopoldina), equipe do banheiro (responsável pela limpeza).
“A gente é que se organiza. Aqui mora muitos camelôs, catadores de latas, paraplégicos, cegos, deficientes físicos, crianças… Já teve surto de disenteria, surto de infecção intestinal.”
Sobre a questão do dinheiro para a reforma do prédio, Miriam afirma:
- Estamos procurando uma parceria que nos ajude a reformar o prédio que tem muita infiltração, foi depredado por ladrões que levaram fios, ralos de pia…
Com o cadastramento do Ministério das Cidades, os ocupantes esperam que o prédio da Docas seja uma moradia provisória. “Reivindicamos um lugar, enquanto esperamos o Programa de 2007. Não temos R$ 400 e 500, 00 para pagar uma quitinete e morar no subúrbio e pagar passagem gastaria muito dinheiro.
Reportagem: Sabrina Gregori
Texto e imagens: Sabrina Gregori
Edição: Davi Jovencio e Sabrina Gregori
Supervia não se resposabiliza pelos camelôs na Central 01,12,06
Posted by dres2ie in Espaços públicos, Sabrina Gregori.add a comment
A Central do Brasil é o que resta da antiga Estrada de Ferro que ligava São Paulo e Rio de Janeiro. A malha ferroviária restante nos subúrbios do Rio é da Supervia. Esta é responsável pela gare e subsolo do Edifício da Central. O espaço físico vem sofrendo muitas mudanças dos anos 90 para cá. Foi comercializado – McDonalds, banca de jornais e pastelarias – e vêm sendo construídos novos estabelecimentos perto dos portões, descaracterizando o lugar. O portão que dá para o lado do Terminal Américo Coronel Américo Fontenelle, aliás, contam com inúmeras paradas de vans e ônibus de diversos lugares e camelôs em toda a sua extensão.
Transeuntes reclamam da dificuldade para passar pelo portão. “Muitas vezes eu esbarro nesses camelôs e quase fui atropelada por esses ônibus que não tem nenhum respeito pelos pedestres” – reclama Elza Azevedo, aposentada de 74 anos. A vendedora Simone Arantes, 29 anos, freqüenta o lugar de segunda a sábado e diz ser incomodada todos os dias pelos camelôs e motoristas de van. “Os motoristas de van pulam na minha frente e os camelôs ficam gritando seus produtos. È um inferno isso aqui!”
A Supervia não assume a responsabilidade. “Do portão para fora, a responsabilidade é da Prefeitura. Contamos com a Secretaria de Segurança Pública para supervisionar a gare do portão para dentro. Aliás, graças a Segurança Pública não temos mais vendedores ambulantes, mendigos, prostitutas na gare como retratado no filme Central do Brasil” - esclarece Thiago Nerer, assessor de imprensa da Supervia.
A Secretaria de Governo diz não ter previsão para a retirada dos camelôs da área. “Não temos um plano efetivo no momento. Está em estudos”, diz uma secretária que não quis ser identificada. Quanto às construções nos portões da Central (um dos estabelecimentos será uma loja de roupas infantis e outro será uma lanchonete), os próprios clientes reclamam.
- Eles fazem isso para aproveitar a passagem das pessoas. Só que acaba atrapalhando. Se em obra já incomoda, imagina quando tiver clientes nos portões – Antonio Silveira, aposentado, 69 anos.
Thiago Nerer defende as construções. “A Supervia está revitalizando a Central. O cliente pode fazer suas compras, comer no McDonalds, lanchar… tudo na gare e no subsolo. Essa comercialização proporciona aos freqüentadores maior conforto porque antes não havia nada”.
Reportagem: Sabrina Gregori
Texto e imagens: Sabrina Gregori
Edição: Davi Jovencio & Sabrina Gregori
Docas e ocupantes esperam prazo do ITERJ 06,11,06
Posted by dres2ie in Manifesto, Sabrina Gregori.add a comment
Liminar de reintegração de posse ao ex-Departamento de Engenharia da Companhia Docas do Rio de Janeiro, concedida pela 10ª. Vara Cível do município, deu reintegração de posse para a Docas.O Instituto de Terras e Cartografias do Estado do Rio de Janeiro (ITERJ) pediu um prazo de 30 dias (que acaba no dia 9 de novembro) para apresentar solução ao problema. Segundo o assessor de imprensa da Docas, Fernando Paulino, se o prazo acabar e não houver sido apresentada uma solução, o oficial de justiça chamará a polícia e será feita a desocupação.
Na última quarta-feira, houve uma manifestação em frente ao edifício-sede da Docas. Cerca de 30 manifestantes se reuniram esperando representantes do Quilombo das Guerreiras que entraram para negociar – Nina Soares, Maria Aparecida e Miriam Muphy. Os ocupantes gritavam “Sem comer, sem beber, só nos resta ocupar”. No alto-falante, Maciel Silva, com uma camiseta da ocupação Chiquinha Gonzaga, dizia:
– Há quinze anos quem morava no prédio eram cachorros, ratos e baratas. Quando seres humanos vão morar, aí não pode!
Paulino afirma que a moradia é responsabilidade da prefeitura: “Os ocupantes deveriam forçar a prefeitura. A questão da moradia não é responsabilidade da Docas. Somos responsáveis pela atividade portuária”.
De acordo com Fernando Paulino, para o cadastramento no programa de moradia popular, não se pode ter moradia e ganhar menos de cinco salários mínimos, admitindo que o programa deve favorecer mais a classe média. Uma pesquisa citada pelo assessor revela que 70% dos moradores da zona portuária são trabalhadores informais, portanto não poderão ser cadastrados. “A maioria é camelô que trabalha de dia e vai apenas dormir lá”.
Nina Soares, desempregada, afirma que o programa não serve para quem não ganha nada. “Esse programa de moradia só entra quem ganha de cinco a dez salários, até porque você paga R$ 1850, 00 por mês e ainda é pra 2007. Você paga a sua moradia. E quem não tem como? Onde ficamos até 2007?”
Nos planos de revitalização portuária, o prédio da Avenida Francisco Bicálio, 49, será um centro de estudos e, segundo informações do assessor de imprensa, já recebeu visitas de engenheiros para o levantamento de custos da reforma. “Esse prédio é para a reciclagem profissional da atividade portuária, que nos últimos 15, 20 anos caiu, mas voltou a crescer. A parte residencial dessa revitalização é de responsabilidade da Prefeitura”, explicou Paulino.
Esse seria um dos motivos da reintegração de posse. Há também os arquivos históricos da Docas. Os ocupantes rebatem: “Achamos uns mapas grandes lá em cima, cheios de fungo, e ainda fizemos o favor de enrolar para limpar o prédio”, diz Nina Soares. Outra razão é apontada pelo assessor da Docas. “O prédio não é residencial”. Nina Soares responde: “Nós temos encanador, bombeiro hidráulico, pedreiro, eletricista, já desentupimos um banheiro. Temos uma cozinha coletiva. Nós damos o nosso jeito”.
Quanto à negociação do dia 25, Nina não revelou nada. “Não posso dizer o que falamos. Mas, conversa vai, conversa vem, nada ficou resolvido. Vão ver o que se pode fazer. Eles é que tem que resolver, Docas, Governo Federal e Estadual, e nos deixar quietos aqui.”
Reportagem: Sabrina Gregori
Texto e Imagens: Sabrina Gregori
Edição: Davi Jovencio e Sabrina Gregori